Dois corpos que amanhecem inertes, repousados sobre os lençóis do luar.
Corpos que se conhecem e que se amam — ou fingem se conhecer.
Dois corpos que se querem e podem proporcionar um ao outro o prazer que lhes é concedido, pedido e absorvido pelas entranhas de cada um.
Corpos que se arrepiam ao se tocarem, que sorriem de forma safada, maliciosa e dengosa.
Dois corpos que se enlaçam, se abraçam, se amassam… se beijam, trocam carinhos e afagos, suaves mordidas, ávidas lambidas.
Corpos que deixam sua temperatura subir, ebulir, explodir… que chegam a momentos em que o tesão parece não ter mais domínio.
Dois corpos que se curvam, que se seguram para que o momento do ápice seja um pouco mais prolongado — adiado, quem sabe, e até torturado.
Corpos que respiram fundo após uma língua na orelha, um arrepio na nuca e uma contração vaginal, anal ou até sexo oral.
Dois corpos que, depois de uma grande luta com o próprio prazer, se permitem gozar, expulsar, amar e gritar.
Corpos que agora voltam a relaxar, a se acarinhar, a amansar…
Dois corpos que agora sorriem, que do gozo fazem graça, pirraça, trapaça.