Há dias em que a gente precisa escrever. Não cartas, não bilhetes, não listas de tarefas. A gente precisa escrever aquilo que cabe nas entrelinhas — porque é lá, nesse espaço silencioso entre uma palavra e outra, que moram as coisas que a boca não consegue dizer.
E eu tenho escrito muito ultimamente. Nas linhas, coloco pedidos disfarçados de pensamentos soltos. Lembranças que insistem em voltar. Agradecimentos por dias que nem sei se mereci. E também lamentos, desses que pesam no peito, e tormentos que ganham forma quando a noite chega e o silêncio vira morada.
Mas não quero que fique tudo aqui, preso comigo.
Então faço um pedido ao céu — desses que se faz em voz baixa, quase sem som, mas com o coração inteiro.
Que os bons ventos venham. Que eles levem tudo isso para longe, bem para o infinito, onde as palavras viram estrelas e os sentimentos encontram descanso. E que, na volta — porque sempre há uma volta —, esses mesmos ventos só me tragam o que há de mais bonito.
Um sorriso inesperado. Um abraço que chega na hora certa. Uma paz leve, dessas que cabem na palma da mão.
Porque pedir ao céu, no fundo, é isso: soltar o que pesa e abrir espaço para o que ainda pode florescer.