Eu nunca entendi por que a ansiedade só anda de mãos dadas com o medo. Quando o peito acelera, a primeira coisa que pensamos é: “Algo ruim vai acontecer”. É automático. Quase uma regra.
Mas um dia eu parei para observar. Percebi que a ansiedade, sozinha, não é boa nem ruim. Ela é só energia — um motor ligado sem destino. O volante, na verdade, está comigo. Se eu viro para o lado do medo, ela acelera na direção dele. Se eu viro para a esperança, ela me prepara para receber.
Comecei a treinar isso. Toda vez que a mente disparava, eu fazia uma pergunta diferente: “E se, em vez de dar errado, der certo? E se coisas boas estiverem a caminho, e essa ansiedade for só o meu coração se preparando para abrir a porta?”
Não foi fácil no começo. Mas, aos poucos, fui trocando o roteiro. Fui perceber que o universo não é um inimigo que guarda armadilhas — ele responde ao que eu aprendi a esperar.
Hoje, quando a ansiedade chega, eu não a expulso mais. Eu a pergunto: “O que você veio me preparar para receber?” E espero. De peito aberto. Porque coisas boas também merecem ansiedade. E eu mereço vivê-las.