E há quem diga que eu não seja psicólogo. Vocês acreditam?
Pois é, nem eu.
Márcio acabou de sair do consultório, e a queixa era o quê?
Acho que nem queixa, era mais uma dúvida. Perguntou muito o que eu achava da relação de “amizade” pós-sexo, namoro, casamento, pegação, sexo por sexo, enfim, de algum contato físico, seja ele qual for, tendo emocional ou não.
Hesitei em responder — até porque, se depender de alguns ex meus, contato nenhum.
Acho que eu sempre saio desses contatos como a rainha má.
Enfim, detalhes à parte, vamos lá. Acho que se o término, seja lá do que, foi tranquilo — digo, sem traição ou grandes catástrofes —, por que não?
Não sei se sou muito pacífico, bobo ou coração mole, mas não gosto de perder o contato das pessoas. Passou uma coisa aqui pela minha mente, mas melhor não escrever, hehehehe… seria crucificado e queimado vivo!
Voltemos. Acredito que se aconteceu um encontro, um contato, um relacionamento, é porque alguma afinidade aconteceu. Se existe essa afinidade, mas não foi o suficiente para continuar a relação — seja ela qual nome tiver: namoro, para marcar um novo encontro, para seguir no casamento, para fazer sexo novamente, para só repetir os amassos —, qual problema em se ter contato?
Acredito que melhores amigos não seríamos — eu disse acredito, eu sempre quis ficar amigo dos meus ex, mas eles nunca quiseram. Afinal, se vivemos um tempo juntos, sabemos muito um do outro, muitas intimidades e segredos, então qual o problema?
Se bem que eles podem ser daqueles que pensam assim: “Se ex fosse bom, seria atual.”
Aliás, acho que isso é trauma (meu), pois sempre quis namorar um amigo, mas isso nunca aconteceu. Defendo essa ideia porque geralmente o amigo sabe tudo de você, defeitos e qualidades, então por que não tentar? OPS — e para você que está lendo e sabe que estou falando de você e está pensando: “Salum, eu sou seu amigo” —, entre a gente não dá, somos quase irmãos e não me vejo transando com meu irmão.
Enfim, o que sobra das relações? Contato? Amizade?
Vontade de repetir? Não sei, cada caso é um caso. Mas é engraçado: a pessoa não quer contato com você, mas curte tuas fotos, compartilha teus posts, sabe onde você foi, com quem foi, o que fez… enfim, existe uma ligação, e por que não ser exposta?
Ou então, passa por você no shopping com o namorado novo e finge que não te vê, mas na mesma noite curte tua foto.
Correspondências continuam a chegar à tua casa porque ele não atualizou o endereço.
Não sei, algumas atitudes eu não entendo.
Acho até que deixei Márcio com mais perguntas que respostas.
Ah? Os exemplos que dei? Se são meus? Quem sabe?
Questionei ainda: esse fingir que não te viu não seria algo mal resolvido? Será que essa coisa de não querer se aproximar não seja uma defesa, talvez inconsciente, de algo que está adormecido dentro do peito?
Ah! Não sei, o coração é uma caixa de Pandora, a gente nunca sabe o que tem dentro e como ele vai reagir.
Mas pensando em mim, será que eu me anularia perante um ex se achasse que ele pode sim despertar de novo em mim algum sentimento?
Não, do jeito que sou teimoso e adoro sofrer por amor, hahahaha… eu ia sim curtir as fotos, cumprimentar, abraçar e dar um jeito de vê-lo sempre, afinal, quem garante que ele não sente o mesmo desejo? E quem não é visto não é lembrado.
Mas e quanto aos que foram apenas sexo por sexo? Hahahahahaha, meu amado Márcio, o que te vou dizer pode ser a minha desgraça, mas, vamos lá, o divã é seu. Quanto a estes, só mantenha contato com os que foram bons ou ótimos; o resto… deleta e faz a egípcia, querida, porque sexo por sexo e ainda ruim… é pra acabar!
Se a pegação foi boa, mantenha contato sim, afinal existem aquelas pessoas que não querem compromisso, e estes podem, quem sabe, ser um P.A. ou um C.A.
Enfim, você, assim todo amoroso, romântico, quer estar em contato sim com as pessoas que são queridas. Mas o mundo é mais frio e calculista, nem todos são coração e emoção; existe muita razão. E não se esqueça de que tem o outro lado da moeda: você pode ter achado bom, mas e ele? Achou?
Sem contar que muitas pessoas que são nossos encontros e desencontros são assim mesmo… descartáveis.
Viu, e dizem ainda por aí que eu não sou psicólogo!