#NOMEUCONSULTORIO 68 – VOCÊ SERIA VOCÊ MESMO COM TODA A SUA ESSÊNCIA APARENTE? SE EU FOSSE EU… NÃO SEI

 

 

E há quem diga que eu não seja psicólogo. Vocês acreditam?
Pois é… nem eu.

Tenho coragem de ser quem realmente sou?

Recebi logo cedo um texto de Clarice Lispector: Se eu fosse eu. Você já leu?
Posso adiantar que ele não é nada convencional e vai te colocar na boca do inferno — ou na beira do abismo, como achar melhor.

Se eu fosse eu retrata muito o que este Felipe, quem me mandou o texto, está vivendo. Depois de alguns anos — não vou dizer muitos, porque “muitos” tenho eu —, ele deu de cara, em sua jornada pela vida, sabe com quem? Com ele mesmo. E para onde olhasse, havia um espelho. Ou seja: chegou a hora da sua pior batalha. É chegada a hora de enfrentar o seu maior inimigo, o mais forte e o que conhece TODOS os seus defeitos e fraquezas… você mesmo.

Não, não adianta correr. Essa é uma batalha que nos é imposta e da qual ninguém pode escapar. Pode, sim, ser adiada para um dia, um mês, um ano, uma década ou até para uma nova vida. Mas você um dia vai ter, sim, que se enfrentar. Pois só assim vai poder aparar as arestas e ser alguém melhor, evoluir. Não existe como evoluir sem começar enfrentando a si mesmo.

Como diz o texto: pare e se pergunte: Se eu fosse eu? Quanta coisa feia, quanta coisa horripilante, quanta verdade escondemos debaixo do tapete chamado dia a dia. Se eu fosse eu, também acho que teria muito medo, muita vergonha. Mas há algum tempo iniciei esta batalha comigo mesmo e não desisti. Sim, não pense que ela tem um fim; ela só tem um começo. E com o passar do tempo, dos anos, você vai ficando mais tranquilo e sereno quando se pergunta: “Se eu fosse eu?”.

Felipe tentou desistir, sim, desta batalha. Mas parece que achou melhor enfrentar e já começou a ver resultados. Ah, não achem que “resultados” quer dizer mudanças de comportamento, hahahahaha… Nesta batalha, as mudanças são muito sutis, digamos que como um grão de mostarda. Mas como disse a ele: até que a primeira mudança aconteça, tudo parece mais difícil e mais pesado. Porém, depois que o primeiro grão se movimenta, as coisas começam a clarear e ficar mais leves. Só nele já enxergar o que precisa mudar e estar disposto a isso é um começo. Acho que ele se fez a pergunta, e aí ele mesmo disse: “Eu sou mau, eu sou ardiloso…” Quem se diz isso sinceramente? E “mau” não quer dizer ser malvado com os outros; é um “mal” no sentido da essência da pessoa. No sentido de, por exemplo, achar que o mundo se resume somente a ele mesmo e nem se importar com os outros, com os que estão ao seu lado. Sim, isso é ser mau.

Felipe sofre muito. Sofre porque encara este espelho há certo tempo, mas não tem forças — eu chamo isso de coragem, de enfrentar, de dar um murro neste espelho e falar: “Eu vou mudar esta porra!!!” Sim, esta porra, esta bosta, é você mesmo. Não sejamos hipócritas. Como disse no começo: você seria você mesmo? Pense bem: transparecer TODA a sua VERDADEIRA essência a TODOS.

Enfim, eu estou feliz porque vi em Felipe um movimento quase transparente, quase insignificante. Mas nesta batalha, o insignificante significa O COMEÇO. E nesta batalha, o começo é tudo, pois com o passar do tempo as coisas vão melhorando e aí você não quer mais parar de se polir.

Assim como Felipe, muitos de nós já estamos nesta jornada e colhendo bons frutos. Alguns estão iniciando. E muitos — mas muitos — acomodados, esperando o mundo passar. E esses, sinto muito dizer, têm muito a sofrer ainda. E não é praga minha: é a lei… da vida.

Quer começar esta briga? Você é o que você vê e critica nas outras pessoas. Pense nisso.

Viu? E ainda dizem por aí que eu não sou psicólogo!

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