E há quem diga que eu não seja psicólogo. Vocês acreditam?
Pois é… nem eu.
Marina tem 41 anos, dois filhos — um totalmente independente e outro que ainda depende muito dela, uma criança. É kardecista, divorciada e perdeu a mãe há pouco tempo.
É aí que a coisa pega.
Marina me pergunta o que fazer com a situação atual. No velório da mãe, o rapaz em questão — que, na verdade, é um homem divorciado — aproximou-se dela cheio de atenções e carinho. Marina achou-o interessante e correspondeu. Eles já se conheciam, não intimamente, mas dos corredores do hospital. Começaram a sair, almas que se identificaram, ficaram juntos e, antes mesmo do 5º encontro, transaram.
Nossa, e tem gente que ainda espera o 5º encontro para transar?
Ou eu ando muito “saidinho” e safado, ou as pessoas estão voltando a ser caretas…
Essas aproximações despertaram em Marina um interesse que foi correspondido. Ele até sai com ela em público — ou seja, ESTÁ ASSUMINDO o caso, o namoro, a ficada… ou seja lá que rótulo queiram dar!
Mas no meio disso tudo, Marina descobre — ou melhor, ele conta — que tem um “rolo”, mas que não é nada sério. Como ele mesmo diz: um rolo sem cobranças. Hmmmm… A explicação foi que ele ajudou essa pessoa quando ela precisou, e agora ela precisa de apoio, blá-blá-blá…
Sinceramente? Eu achava que, quando alguém nos ajuda, a gente tinha consideração e gratidão. Não sabia que precisava pagar com sexo — “sem cobranças”, mas…
Além disso, Marina descobre (ele conta de novo) que sai para transar com prostitutas. Mas ele se defende dizendo que “é só sexo por sexo”. Fácil e bonito, né?
Como os dois são kardecistas, acreditam que o amor deles vem de outras vidas. E ele ainda justifica a própria… “safadeza”, dizendo que isso também é um karma, que vem de outras encarnações, etc. e tal.
Amigo, deixa o outro lado ouvir isso! Cômodo para ele se dizer vítima, alegando que “sabe que isso atrasa a evolução dele”.
Na boa, Marina: cai fora. Você é uma guerreira, tem filhos, é inteligente e independente. A meu ver, esse cara só está te enrolando. Ou seja: ele tem uma mulher “oficial” (que é você) e sai “gandaiando” por aí com outras?
Por que ele não apresenta as outras ao círculo de amizades e ao trabalho?
Por que elas não se enquadram?
Nada contra prostitutas e amantes, mas, meu… cria vergonha na cara! Se as três aceitarem dividir, ótimo — até sou a favor do poliamor. Afinal, na terra das minhas origens, isso é bem normal. Mas até onde sei, essa situação incomoda Marina. E ele vem levando-a na maciota, dizendo que “precisa melhorar”, que “vai tentar”, que “vai arrumar mais tempo para ela”… Blá-blá-blá. Tudo lorota.
Marina, não creio que isso seja o que você quer ouvir. Sei que está envolvida e acredita que isso é um “amor de resgate”. Ok. Se for, deixa ele voltar outras vezes. Não acredito que, para você fazer seu resgate, precise aceitar tal situação.
O pouco que sei do Kardecismo deixa claro: as tentações desta encarnação — como traição, vícios etc. — muitas vezes foram causas do desencarne na passada. Cabe a cada um não sucumbir e passar pela prova. Se ele acha que não consegue, que fique patinando na própria evolução. Mas livre-se disso você.
Não deixe ninguém machucá-la por não valorizar seus sentimentos, por não te respeitar e, muito menos, por atrasar sua evolução.
Repito: você é uma mulher inteligente, bonita, independente e tem tudo para evoluir e ser feliz. Basta olhar no espelho e dizer: “Eu me amo”.
Só podemos amar outro depois que amarmos a nós mesmos.
Beijão, querida. Não fique nessa areia movediça. Liberte-se e permita-se ser feliz plenamente.
Viu? E ainda dizem por aí que eu não sou psicólogo!