O HOMEM QUE FICOU ESPERANDO

 

 

Estava sentado à mesa observando uma cena curiosa. Não era uma cena rara, mas talvez nunca tenha sido tão comum quanto agora.

Uma mulher bonita, interessante, inteligente. Daquelas que não chamam atenção apenas pela aparência, mas pela presença. E, ao longo da noite, vieram os sinais.

Um homem olhava de longe.

Outro pediu o telefone por intermédio de terceiros.

Um terceiro fazia elogios, chamava de “primeira-dama”, demonstrava interesse, mas parecia incapaz de transformar palavras em convite.

E eu fiquei pensando: em que momento o interesse passou a substituir a atitude?

Porque gostar nunca foi suficiente.

Olhar não é conquistar.
Curtir foto não é conquistar.
Pedir telefone pelos bastidores não é conquistar.
Mandar recado por terceiros não é conquistar.

Conquistar sempre foi uma arte que exigia presença. Exigia coragem para atravessar a distância entre duas pessoas e dizer: “Gostaria de conhecer você melhor.”

Mas parece que muitos homens modernos foram convencidos de que basta existir. Que basta estar disponível. Que basta lançar alguns sinais e esperar que a mulher faça o resto.

Como se fossem uma peça rara em exposição.
Como se o simples fato de estarem ali já fosse um favor ao mundo.

Enquanto isso, muitas mulheres seguem esperando algo muito simples: atenção.

Não atenção comprada.
Não atenção exibicionista.
Mas aquela atenção refinada dos detalhes: o convite pensado, a conversa que demonstra interesse genuíno, a iniciativa, o cuidado, a capacidade de fazer a outra pessoa sentir que foi escolhida.

Porque a verdade é que flores podem sair de moda. Cartas podem sair de moda. Até os jantares sofisticados podem sair de moda. Mas uma coisa nunca sai de moda: alguém que faz questão.

E talvez seja justamente aí que muitos estejam perdendo o jogo. Não por falta de beleza. Não por falta de dinheiro. Não por falta de oportunidades. Mas por falta daquilo que sempre fez alguém ser inesquecível: a coragem de demonstrar interesse sem preguiça, sem atalhos e sem terceirizar a própria intenção.

No fim das contas, muitas mulheres não estão procurando um príncipe. Estão apenas procurando alguém que tenha a ousadia de levantar da cadeira, atravessar a sala e agir como alguém que realmente quer estar ali.

Porque interesse silencioso é só decoração.
E ninguém constrói uma história com decoração.

 

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