Ela estava sempre ali, a praia — areia e mar a me olhar. E eu, só eu, tinha que decidir que horas começar a moldar o meu castelo.
Resolvi fazer isso quando vi você passeando pela mesma praia que me aguardava.
Ali, dia após dia, fui construindo ele, devagar, com calma, com risos, alegrias, com bom humor e companhia, com um apertinho de saudade, com vontade de ouvir sua voz, mas com satisfação quando isso acontecia.
Alguns dias, quando menos esperava, um torpedo seu chegava — e isso é um motivo muito bom. Enfim, tudo isso, essas sensações de coisas boas, fui acrescentando ao meu castelo.
Em determinado momento, já imaginava que não era mais meu, mas nosso, e prossegui com ele: com muros fortes, com torres altas, janelas amplas onde o ar pudesse entrar e dali nossos olhos pudessem avistar toda a beleza que poderia ser vista, sentida, compreendida e a criatividade aguçar.
Tudo isso foi sendo feito com muito cuidado, com muito zelo, apreço, mas me esqueci de observar a maré alta — até onde as ondas poderiam chegar. E foi aí que o mar veio. Não foi com fúria, nem com tormentas; foi calmo, sincero, singelo. E meu castelo se pôs abaixo: os sonhos se foram, os muros, torres, castelos, até as janelas onde podiam seus olhos sinceros avistar o que tinha de belo se foi. O mar levou e aqui, só, me deixou. Nunca mais voltou.
Agora? Olho a praia lá, um resto do castelo desmoronado. Não sei se retomo ou o deixo abandonado; não sei se sonho ou fico acordado; não sei se fujo ou te quero aqui, no meu peito apertado.