AH… NÃO CHORA…

Um consolo amoroso. Quem fala se oferece como abrigo, força e beleza para o outro, pedindo que não chore e lembrando a promessa feita.O eu lírico consola alguém que está chorando, afirmando que está ao seu lado para amparar, acariciar, abraçar e cuidar. Declara-se como porto seguro, força e beleza para a pessoa amada. No final, lembra uma promessa feita e reafirma que seu amor pertence a ela, pedindo mais uma vez que não chore.
NA MINHA VARANDA

O eu lírico imagina sua velhice, sentado na varanda em tardes de verão. A chuva chega e ele fecha os olhos para recordar os momentos vividos com alguém especial. No final, chama por “Jakutinga” e pergunta por onde essa pessoa anda, revelando saudade e distância.
EU TE DESEJO

O poema repete “Eu te desejo…” seguido de várias palavras que rimam com “desejo” (poejo, cortejo, vilarejo, etc.). A repetição esvazia o sentido do desejo, transformando-o em algo mecânico, disperso e até irônico.
VERBO AMAR

O poema mostra que há três formas de “amar”:
Eu amo — é a declaração, o que se diz, mas pode ser só palavras.
Estar amando — é a ação contínua, o sentimento vivido no presente, que nem sempre acontece.
Que eu ame — é a possibilidade, o desejo, aquilo que ainda não se concretizou.
No fim, o poema revela que declarar amor não significa vivê-lo, e vivê-lo não significa que ele seja real ou duradouro.
O TEMPO

O poema reflete sobre a natureza incontrolável do tempo — senhor de verdades e mentiras, alegrias e sofrimentos, curas e feridas. O eu lírico deseja manipulá-lo, mas reconhece que isso é impossível: o que passou, passou.
Diante disso, a saída não é tentar dominá-lo, mas entendê-lo e aceitá-lo. Estar aliado ao tempo — respeitando seu fluxo e aprendendo com ele — é a verdadeira salvação.
MATE O MEU AMOR

O poema expressa o conflito de um amor que ainda existe, mas não pode mais ser vivido sem causar mais dor. As cicatrizes são recentes, e ambos sabem que se machucam ao se aproximar. A razão diz para parar, mas o coração insiste — e a confusão entre emoção, paixão e ilusão só aumenta.
Há um pedido contraditório: se não pode tê-lo, por que luta? Se não o quer, por que preserva o sentimento? O eu lírico se sente anulado, como se já não vivesse a própria vida.
A saída dolorosa é pedir para ser abandonado, anulado, “morto” — para que, com o tempo, o que era belo se apague e, assim, ele possa finalmente se libertar.
ESTAMPA

O poema descreve a admiração por um rosto bonito e marcante — que “estampa a estampa”, como se fosse uma obra de arte viva. O sorriso maroto e o olhar sincero despertam desejo imediato, mesmo à distância.
É uma celebração da atração instantânea e do encantamento visual que logo se transforma em vontade de proximidade.
TE BANHO, ALMA FOGOSA

O poema fala de um banho simbólico e afetivo, feito com raios de sol, que envolve o corpo, os pelos e os desejos do outro. É um gesto de entrega total: banhar o amado com carinho, amor, vontades e sentimentos.
A imagem final destaca a dualidade da pessoa amada — de alma bondosa e fogosa — que é acolhida por completo nessa comunhão de luz e afeto.
SENTINDO TEU CORPO

O poema expressa um desejo intenso de entrega física e afetiva — enroscar-se no corpo do outro, sentir seus braços, suas coxas, o sabor da boca e os pelos na pele. Há uma busca por intimidade total, misturada a ternura (“mimos e dengos”) e sensualidade.
O desejo se completa na imagem do “menino arteiro” — alguém que se quer por inteiro, com leveza e paixão.
MIL CORAÇÕES

O poema fala sobre a proteção da própria essência por trás de máscaras escolhidas. O eu lírico se despedaça em emoções, mas não quer amar — quer adorar, e só se entregará por completo quando a pessoa certa chegar.
Até lá, guarda seu eu mais puro e obscuro, esperando alguém que merezca sua paixão, amor, fogo e entrega total. É um texto sobre cuidado consigo mesmo e a espera ativa por quem realmente valha a pena.